ONDE FIXAR RAÍZES
Somos amadurecidos
Pelos extensos dias em movimento
Pela memória desintegrada
Pelo alongamento da luz do sol na pele
Já conhecemos os limites do próprio nada
E a fragilidade de quem fica conosco
Se o riso for até de madrugada.
Somos amdurecidos
Pelo vento que desliza sobre nosso rosto
Pelo alto da tarde inacabada
Pelos enterros que a cada noite
Em nós, se faz necessários.
Somos amadurecidos
Pelos nossos gemidos erguidos sem eco
Pelo contentamento perdido em passos antigos
Já conhecemos a saudade
Que num suspiro toma o espaço
Maior que a própria vida.
Uma morada sem janelas
Já começa a criar forma
Coroando o infinito de beleza límpida ou póstuma.
Somos amadurecidos
Pelo o nosso pó que é a viva expressão do nada.
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