quarta-feira, 30 de novembro de 2011

poesia do livro "O Tempo Que Gira"

     ONDE FIXAR RAÍZES 

Somos amadurecidos
Pelos extensos dias em movimento
Pela memória desintegrada
Pelo alongamento da luz do sol na pele
Já conhecemos os limites do próprio nada
E a fragilidade de quem fica conosco
Se o riso for até de madrugada. 
Somos amdurecidos
Pelo vento que desliza sobre nosso rosto
Pelo alto da tarde inacabada
Pelos enterros que a cada noite
Em nós, se faz necessários.
Somos amadurecidos
Pelos nossos gemidos erguidos sem eco
Pelo contentamento perdido em passos antigos
Já conhecemos a saudade
Que num suspiro toma o espaço
Maior que a própria vida.
Uma morada sem janelas
Já começa a criar forma
Coroando o infinito de beleza límpida ou póstuma.
Somos amadurecidos
Pelo o nosso pó que é a viva expressão do nada.
         

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