terça-feira, 29 de novembro de 2011

poesia do livro "O Tempo Que Gira"

Reabro meu guarda-roupa há muito tempo fechado.
De repente me surpreendo com tanta roupa amontoada
No entanto, são poupas legendárias
Fora do meu mundo não me dizem nada.

Fecho as portas do meu guarda-roupa
Deslizo rente ao duro carvalho suavemente toco o chão.
Alma de joelhos no peito o coração em novo compasso,
Tão aflito, pergunta-me por quem choras?...

Vultos sem corpos dançam à minha volta
É tão tarde
Vultos sem boca falam à minha volta
A festa é tão longe
Vultos sem olhos olham-me nas pupilas
Tão indiferentes quanto a vastidão do mundo.

Tranco à chave as portas do meu velho guarda-roupa
E caminho sem olhar para trás
Já não me surpreendo na manhã sequinte:
Nem com a solidão humana
Nem com as flores mortas.

autora: Thereza Freirez

Nenhum comentário:

Postar um comentário