QUANDO ME APROXIMEI DAS JANELAS
VI MEUS OLHOS
Meus olhos não se vão
Esta incapacidade de esperar
Não lhes deixa em sossego.
Estão doloridos no rosto magoado
Numa solidão talvez inesplicável
Em algum lugar do mundo deixa de ser dolente?...
Nem mesmo entre os botões de rosas
Ao mundo pertence os acontecimentos.
Não se vão meus olhos,
Ainda há trabalho por fazer
Ainda há afeto por receber
No crepúsculo jazem os braços
De meus netos, que virão em abraços.
As palavras leves trazidas por borboletas
(Se não forem amarelas)
Não dizem nada.
Fiquem comigo meus olhos,
A peneira fina do tempo
Acaso não conhece os labirintos da vida?
Um trage caído despoja o corpo
Uma memória obscura deságua
Em coroa de espinhos.
Meus olhos, na sua dimensão absoluta
Descansarão no esplendor da esmeralda e,
Deixarão crivado seu nome em pedra alada...
autora: Thereza Freirez
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