sábado, 10 de dezembro de 2011

poesia do livro "O Tempo Que Gira"

      SOB ÁGUAS TÃO CLARAS

      Em jardim florido venha cantar comigo.
      É tempo de vida, é tempo de festas
      É hora de amor tardio
      De me pôr nos teus braços
      De acabar com o meu frio
      Erga tuas pálpebras
      Toque o céu de rara beleza
      E venha amar a vida com largueza.
     
      Com janelas abertas
      Com flores molhadas
      Com luzes acesas
      Com inocência de criança.

      Venhar caminhar comigo
      Por entre árvores
      Sob o surpreso olhar dos pássaros
      De corpo nu abraçando o vento
      Sem embaraço, sem cansaço.

     Antiga pele, nova.
     Agora descobrindo
     A timidez dos atalhos
     Os campos agressivos.
     À luz do desejo sem guerras.
     E num abandono animal
     Sentir o molhar da medula
     Neste arrepio maduro
     Sem culpa ou constrangimento.

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