O QUE POSSO SABER DELAS
Estremeço ao lado de uma pequena abelha
Com a queda de um hibisco vermelho
Os retratos desprendem-se das paredes
E com pés firmes caminham
Até os canteiros do jardim particilar
pela porta passa um fio de luz
O resto é negridão absoluta.
Mil abelhinhas correm na mesma direção.
Gritam por um nome
Cantam uma canção
Fazem uma oração
E põem nos braços o hibisco
Já desbotado, sem vida.
Sobem mil e uma pedras
Carregando o despojado vulto.
Logo acima um bando de gaivotas azuis
Se divide em número par
Elas conhecem tão bem estas páginas
Lidas, viradas, gastas, amareladas...
Depois, cada fila organizada
Caminha em minha direção
Com tal leveza que nem sei
Se sou eu ou elas que se aproximam
Fecho os olhos e ouço vozes
Num tom firme e aveludado
- "Dor. Sofrimento. Lágrimas.
São algumas ruínas
Que não tombam a fortaleza milenar
De um espírito como o teu".
autora: Thereza Freirez
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