E AGORA...
Meio-dia
Ele pega a marmita
Já cansado desfalecido
Olha a comida, fria
E ainda é meio-dia.
Comida feita de madrugada
Quando num arrepio canta o galo.
Coxa, roxa, frouxa
Que presunto
Que pensamento
Que tormento
E a comida?
Parece estragada
Enlatada ressecada, fria
E agora é meio-do-dia.
Arriado apressado
Engole a comida
Quatro ou cinco garfadas
Sob o olhar frio
Do posto graduado
Todo-dia, todo-dia
A mesma coisa
A mesma hora
Ao meio-dia.
Arroz, feijão, farinha, batatinha
Se varia que covardia
Miúdos, que angu
Sempre-sempre, todo dia
Carne? é luxo pra rico
Pobre nem se arrisca.
E os carnavais?
De janeiro a janeiro
Trabalho árduo, pesado
Ano inteiro
Ganho curto minguado
Aluguel, roupa, comida
Sem lazer, sem essenciais.
E as fantasias?
Estômago doído, queimado
Vista escurecida
Ninguém desconfia
Deu curto-circuito
Nos altos da companhia.
Quebrança, atropelamento, correria
Confusão na saída
Todos pra rua. Que agonia...
E as serpentinas?
Se aflige num desafio
Sem serviço, sem energia...
autora: Thereza Freirez.
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